segunda-feira, 13 de junho de 2011

A pálida luz da manhã de Inverno Fernando Pessoa




A pálida luz da manhã de Inverno,

 O cais e a razão

Não dão mais esperança,
nem uma esperança sequer,
 Ao meu coração.


        O que tem que ser
        Será
        quer eu queira
       que seja
        ou que não.

     No rumor do cais, no bulício do rio
          Na rua a acordar
         Não há mais sossego,
          nem um vazio sequer,
        Para o meu esperar.
        O que tem que não ser
       Algures será,
         se o pensei;
         tudo mais é sonhar.

         Fernando Pessoa

imagens:Eve Livesey

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