terça-feira, 7 de junho de 2011

Cecília Meireles






(...)

Pelas esquinas do tempo,
brincam meus irmãos antigos:
uns anjos, outros palhaços...

Seus vultos de labareda
rompem-se como retratos
feitos em papel de seda.

Vejo lábios, vejo braços
- por um momento persigo-os;
de repente, os mais exatos
perdem sua exatidão.








Se falo, nada responde.



Depois, tudo vira vento
e nem o meu pensamento 


pode compreender por onde
passaram nem onde estão.

(...)



Cecília Meireles

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