terça-feira, 29 de março de 2011

Outono





CANÇÃO DE OUTONO


Estes lamentos

Dos violões lentos

Do outono

Enchem minha alma

De uma onda calma

De sono.



E soluçando,

Pálido, quando

Soa a hora,

Recordo todos

Os dias doidos

De outrora.



E vou à toa

No ar mau que voa.

Que importa?

Vou pela vida,

Folha caída

E morta.

Paul Verlaine   - Tradução: Guilherme de Almeida












Talvez nunca a ternura fosse tanta


como entre os montes amadurecidos

e quando as casas se elevam

entre o ouro e o fumo da tarde.

Silêncio que parece vir do lento

passado,



vozes que se dão em resignada melancolia

e tomam a forma dos frutos,

vinho e sombra que apagam o mar

nas árvores

onde não tardará o abandono,

memória do que somos.

Repousam sobre a noite os grous

enquanto as cidades crescem à nossa volta

contra o sul vencido.

Vento, ramo e sombra que caem

sobre as janelas ardentes:

lá onde a púrpura se reclina

sobre a água e a beleza

a verdade começa a surgir da espuma.

Henrique Dória



3 chegaram com a brisa:

Sandra Botelho disse...

Outono estação gostosa...quando as folhas caem anunciando que brevemete as flores surgirão, desabrocharão...
Lindos poemas.Bjos achocolatados

livia soares disse...

Outono, estação mais propícia à poesia, à filosofia, às atividades do espírito, enfim... pelo menos, assim me parece.
Um abraço.

Divinius disse...

Cheguei com a brisa...
:)
*